Liga da Natureza disponível para ajudar programa sobre atropelamentos de animais

Liga da Natureza disponível para ajudar programa sobre atropelamentos de animais

O presidente da Liga para Proteção da Natureza (LPN) considerou “muito positiva” a recomendação de três partidos para que o Governo elabore um programa nacional de monitorização dos atropelamentos de animais selvagens, e mostrou-se disponível para ajudar.

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), o PAN e o Bloco de Esquerda vão apresentar na sexta-feira no Parlamento projetos de resolução nos quais recomendam ao Governo que proceda a um estudo sobre o número de atropelamentos de animais, o seu impacto e catalogação e a constituição de um grupo multidisciplinar para definir prioridades, abordagens e metodologias.

Em declarações à agência Lusa, Tito Rosa congratulou-se com as propostas e destacou que a LPN está disponível para ajudar “no que for necessário, uma vez que tem experiência no terreno”.

“Consideramos a iniciativa muito positiva, porque de facto aponta para um problema grave, sobretudo porque atinge espécies protegidas ou ameaçadas de extinção. Mas achamos também positivo porque desperta a discussão do tema e a importância da gestão das infraestruturas numa ótica de preservação e minimização dos riscos”, disse o presidente da LPN.

O PEV, o PAN e o Bloco de Esquerda defendem que o programa e os estudos devem ser uma parceria entre várias entidades: o Estado, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), das organizações não-governamentais do ambiente, Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) – GNR, instituições gestoras das vias rodoviárias e universidades.

“Nós temos experiência na conservação e conhecemos os riscos, podemos dar conselhos nessa matéria. Por outro lado, gostaríamos de estar informados sobre os impactos para podermos intervir atempadamente”, salientou.

Tito Rosa destacou a importância de um sistema uniforme em todo o país que envolva toda a gestão de todas as estradas nacionais.

“É importante também que o ICNF acompanhe e divulgue a informação para que sejam tomadas as medidas necessárias”, sublinhou.

O presidente da LPN lembrou que “já se faz alguma coisa a nível nacional (como por exemplo as passagens aéreas ou subterrâneas para os animais), mas é tudo muito desgarrado, ao nível das estradas de construção mais recente e não têm consequências”.

“A maior parte do país não tem infraestruturas novas. Essas precisam de acompanhamento. Contudo, o mais importante no momento é tomar consciência do problema para seguir em frente”, disse.

Em Portugal, a associação ambientalista Quercus elaborou em 2014 um estudo em dois troços pertencentes a duas localidades do distrito de Castelo Branco, tendo sido registadas 56 mortes de animais, entre os quais se destacam a raposa, lontras, ouriços-caixeiros, corujas e mochos.

Também a universidade de Évora apresentou um estudo onde registou, em média a morte de 120 animais por quilómetro/ano.

Santarém, Viseu, Lisboa, Porto, Leiria e Beja são os distritos onde ocorrem acidentes mais mortíferos.

Alguns estudos, citados pelo PEV, dão conta de mais de 260 mil animais mortos por ano nos Itinerários Complementares e Itinerários Principais.

Texto: Agência Lusa

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