Relatório sobre o Estado das Aves no Mundo revela preocupação

A biodiversidade está em declínio por todo o planeta. Uma em cada oito espécies de aves em todo o mundo estão ameaçadas de extinção. Esta é uma das conclusões do Relatório “O Estado das Aves no mundo”, um documento científico produzido pela BirdLife International, apresentado oficialmente na Flyways Summit da BirdLife International, que decorreu em Abu Dhabi, entre 23 e 26 de abril.

Esta publicação científica pretende mostrar um panorama geral do estado das aves, as pressões que enfrentam e ações de conservação que podem ser implementadas. As aves são das espécies mais estudadas por todo o mundo e por isso um dos melhores indicadores no mundo para analisar o estado do nosso planeta. É por essa razão que embora o relatório seja focado nas aves, as suas conclusões são relevantes para toda a biodiversidade.

O documento, que possui dados científicos recolhidos nos diversos países, serve de barómetro da situação das aves no mundo e de base de trabalho para determinar as necessidades de projetos de conservação. As notícias não são animadoras, demonstrando que em 2017, 1.469 espécies de aves (13% do total) estavam ameaçadas de extinção, mas também há notícias que dão esperança, como é o caso do priolo em Portugal. Espécies que já estiveram à beira da extinção e que após projetos de conservação recuperaram. Isto significa que o homem pode ainda resolver os problemas que tem vindo a causar.

Outras conclusões que este documento nos demonstra é que 40% das aves do mundo estão em declínio, algumas espécies amplamente conhecidas como a coruja-da-neves Bubo scandiacus, o papagaio-do-mar Fratercula arctica e a rola-comum Streptopelia turtur estão globalmente ameaçadas de extinção.

As principais ameaças à conservação das aves identificadas por este relatório são, por ordem de importância, a intensificação da agricultura, a desflorestação, as espécies exóticas invasoras, a caça e captura de aves, as alterações climáticas, o desenvolvimento urbano, os incêndios florestais e as práticas para a sua gestão, produção energética e mineração, infraestruturas lineares, poluição, perturbações humanas, barragens e outras estruturas de gestão hidrológica, as pescas e a apanha de plantas selvagens.

Em Portugal muitas destas ameaças são uma realidade. A intensificação da agricultura e exploração florestal que reduz drasticamente a biodiversidade de florestas e áreas agrícolas tem provocado a redução das populações de aves ligadas a estes habitats, como é o caso das aves estepárias e aves de rapina como a águia-de-perdigueira e o açor.

A captura de aves em Portugal para alimentação ou para comercialização ornamental ascende a alguns milhares de indivíduos, colocando em causa a sobrevivência de algumas aves comuns. As espécies exóticas invasoras, plantas e animais, são um problema grave no território continental e nas ilhas. A proliferação de plantas invasoras altera os habitats das aves reduzindo a disponibilidade de alimento e refúgio e o aumento das populações de gatos e ratos representa uma ameaça para os ninhos de muitas aves marinhas e não só. Em Portugal o bycatch, isto é a captura acidental de aves marinhas na pesca, é também um problema para as aves marinhas.

Porém, também existem motivos para o otimismo. A conservação ativa de aves e os seus habitats tem permitido que no mínimo 25 espécies de aves tenham melhorado o seu estado de conservação.

Entre estas, destacam em Portugal o caso da freira-da-madeira e do priolo. Este último é uma espécie endémica da ilha de São Miguel e alvo de projetos de conservação financiados pelo programa LIFE e geridos pela SPEA. Esta ave, considerada como “Criticamente Ameaçada” em 2003, quando a SPEA iniciou o primeiro projeto, passou a “Ameaçada” em 2010 e desde 2016 está considerada como apenas “Vulnerável”, uma vez que a sua população se tem mantido estável nos últimos anos. Esta situação, demonstra que é possível, com esforço, reverter os processos de extinção de espécies e trazer mais-valias para o bem-estar das comunidades que convivem com elas.

Fonte: SPEA
Fotografia: © Priolo|Daniel Jareño

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