Centro Hospitalar e Universitário do Algarve | Cadela especial ajuda crianças com Trissomia 21

O projeto inovador TAA21 surge com o objetivo de complementar o trabalho de neuroreabilitação de cinco crianças entre os 2 e os 5 anos, portadoras de Trissomia 21, com as terapias assistidas por animais.

O TAA21 iniciou-se em maio, desenhado conjuntamente com o Centro de Neuropediatria e Desenvolvimento e o Centro de Formação, Investigação e Conhecimento do CHUA e contempla 76 sessões divididas ao longo de sete meses. A equipa é composta pelas terapeutas Conceição Silva, Carla Joaquim e Sérgio Cardoso.

Segundo o Barlavento, a terapeuta Conceição refere que “enquanto terapeuta, os resultados são óbvios: o animal neste contexto é um incrível facilitador. O espaço de terapia converte-se num local muito mais motivador, divertido, e perde a carga negativa que tinha. É extraordinário que um único cão, durante um dia consiga assistir cinco crianças. É fantástico verificar o treino e capacidade de trabalho durante tanto tempo e em tantas situações e a forma como os miúdos interagem e respondem a estes estímulos”.

A cadela Sueca faz as delícias de todos e, o projeto TAA21 também só é possível graças ao empenho de Daiana Ferreira, presidente da associação KOKUA que treina, prepara, certifica e trabalha de forma diária os animais para operarem neste tipo de contextos. Daiana refere que “tem sido uma experiência fantástica. Um trabalho muito sério e rigoroso que não pode ser realizado de forma leviana. Uma descoberta aliás, em várias vertentes de diferentes patologias. Contudo, o processo de reabilitação e aprendizagem faz-se nos contextos do dia a dia e não em terapia. É na escola, em casa, na rua que o ambiente tem de ser favorável para que a criança crie mecanismos e se integre. No fundo, estamos a estabelecer vias de integração motora de padrões normais de funcionamento neurológicos, comportamentais e afetivos. O nosso papel é avaliar o que não está bem e saber que tipo de atividades temos de fazer”.

A terapeuta Conceição diz ainda que “as família estão muito contentes com este trabalho das Terapias Assistidas por Animais. Aliás, se por algum motivo o projeto terminasse agora acho que se dava uma revolução! A rapidez com que os miúdos adquirem algumas competências é enorme.”

Documentar de forma comprovada e científica os resultados destes projetos pioneiros de TAA é fundamental uma vez que “começou a haver muita solicitação para apresentar os resultados. Uma coisa é assistir a toda a evolução das crianças, outra é medir de forma científica em termos quantitativos e qualitativos a real evolução das crianças e qual o impacto do cão”, explica Daiana. Todos os registos, relatórios e escalas de avaliação, passaram agora a ser documentados de uma forma mais precisa do ponto de vista neurocientífico.

Fonte: Barlavento

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